sábado, 24 de outubro de 2020

24 DE OUTUBRO - DIA DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS


A propósito do dia 24 de outubro, dia da Organização das Nações Unidas.



O que é a ONU e qual o seu papel atualmente?

A ONU (Organização das Nações Unidas) é uma organização que reúne 193 países e tem como objetivo manter a paz e a segurança a nível internacional.
A ONU intervém e presta auxílio em todo o globo, em várias situações como cenários de guerra e  desastres naturais.
Neste contexto salva vidas ao:
  • fornecer ajuda alimentar a 90 milhões de pessoas em 73 países;
  • promover a vacinação a cerca de 58% das crianças em todo o mundo, salvando assim a vida, por ano, a 2,5 milhões de pessoas;
  • promover a saúde materna, salvando assim a vida, por ano, a 30 milhões de mulheres;
  • prestar assistência a mais de 36 milhões de refugiados que fogem da guerra, da fome ou de perseguições;
  • canalizar ajuda humanitária no valor de 12,4 milhões de dólares americanos para pessoas em situações de emergência.
No que diz respeito à proteção do ambiente:
  • luta contra as alterações climáticas;
  • preside a uma campanha para pôr fim à utilização de gasolina com chumbo. 
Contribui para a manutenção da paz no globo tendo ao seu dispor um destacamento de 120 000 soldados (os capacetes azuis).
Relativamente à democracia e respeito pelos direitos humanos:
  • promove a democracia e apoia, por ano, o processo eleitoral em cerca de 30 países;
  • protege e promove os direitos humanos no terreno, bem como através de 80 convenções/declarações
Quanto ao combate à pobreza, apoiou, nos últimos 30 anos, 370 milhões de pessoas carenciadas que viviam em zonas rurais.
Embora as Nações Unidas não exerçam funções legislativas, participam na resolução de conflitos internacionais e definem políticas sobre matérias que são do interesse de todos.

Criticas ao desempenho da ONU

Desde a sua criação, a ONU é frequentemente criticada pelo excesso de burocracia e pouco impacto na vida das pessoas. Na década passada, um relatório avalizado por líderes mundiais afirmava que a organização falhava gravemente na sua tarefa de ajudar aqueles que mais precisam. O documento falava em ineficiência, fragmentação, problemas para viabilizar recursos e sobredimensionada máquina administrativa - em dezembro de 2018 havia 37500 pessoas a trabalhar no Secretariado da ONU, responsável por administrar o dia a dia, programas e políticas da organização.
Outras críticas relacionam-se com os poderes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que têm poder de veto e que podem, unilateralmente, impedir decisões importantes contra países que não cumpram as regras do direito internacional, por exemplo.

Propostas de reformulação da ONU
Reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas engloba cinco questões principais: categorias de membros; a questão do poder de veto detido pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança; representação regional; alargamento do número de Estados-membros e sua relação com a Assembleia Geral
Estados-membros, grupos regionais e outras entidades internacionais têm vindo a desenvolver diversas propostas e a assumir diferentes posições sobre uma possível reforma da estrutura da organização.
Qualquer reforma na estrutura do Conselho de Segurança requer a aprovação de, pelo menos, dois-terços dos Estados-membros das Nações Unidas e de todos os Estados-membros desta organização em voto unânime e por isso a organização continua a funcionar da mesma forma.

Rafael Melo e Miguel Mateus

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

A CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA DE 1822

Apesar de influenciada pelas revoluções liberais ocorridas em outros países, a revolução liberal portuguesa surge num contexto muito próprio, incluindo:
  • as invasões francesas e consequente fuga da família real para o Brasil (1807) - o que obriga o país a ser "colónia de uma colónia" e um protetorado inglês (sob a administração de Beresford);
  • a independência do Brasil (1822);
o que acaba por condicionar o constitucionalismo liberal português.
A revolução liberal de 1820 conduziu à primeira experiência parlamentar portuguesa, com as Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa, responsável pela elaboração da Constituição de 1822, que o rei D. João VI jurou cumprir, e influenciada pelas diferentes Constituições francesas - 1791, 1793, 1795 - e pela Constituição espanhola de 1812.

A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO (1789)

Este é o documento que serviu de matriz à atual Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Expressa bem os ideais da revolução francesa:
  • proclamação dos princípios "Liberdade, Igualdade, Fraternidade
  • abolição da servidão e direitos feudais
  • abolição dos privilégios da nobreza e do clero
Ao nível das ideias sociais e políticas, a Revolução Francesa sofreu grandes influências  da Revolução Americana e do Iluminismo.

O Iluminismo foi um movimento cultural que:
  • valorizava a razão, considerada o mais importante instrumento para se alcançar o conhecimento
  • valorizava a investigação e a experiência como forma de conhecimento da natureza e da sociedade
  • acreditava nas leis naturais, normas da natureza que regem todas as transformações que ocorrem no comportamento humano, nas sociedades e na natureza
  • acreditava nos direitos naturais, que todos os indivíduos possuem em relação à vida, à liberdade e à posse de bens materiais (propriedade)
  • criticava o absolutismo e os privilégios da nobreza e do clero
  • defendia a liberdade política e económica e a igualdade de todos perante a lei
De acordo com estas influências, a declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão:
  •  estabelece a liberdade e a igualdade de direitos entre os Homens
  • determina que toda a associação política está ao serviço da conservação dos direitos naturais do Homem: liberdade, propriedade, segurança e resistência à opressão
  • estabelece que a soberania reside apenas na nação e que a lei, sendo a expressão da vontade geral, deve ser igual para todos.

A CONSTITUIÇÃO AMERICANA E A DECLARAÇÃO DE DIREITOS


Escrita durante o verão de 1787 em Filadélfia, a Constituição dos Estados Unidos da América é a lei fundamental do sistema federal do governo dos Estados Unidos e o documento de referência do mundo Ocidental. Esta é a mais antiga constituição nacional escrita que está em uso e que define os órgãos principais de governo e suas jurisdições e os direitos básicos dos cidadãos.
 
As dez primeiras emendas da Constituição, a Bill of Rights ou Declaração de Direitos, entraram em vigor no dia 15 de dezembro de 1791, limitando os poderes do governo e protegendo os direitos de todos os cidadãos do território americano.

A Bill of Rights protege a liberdade de expressão, a liberdade de religião, o direito de guardar e usar armas, a liberdade de reunião e a liberdade de petição. Também proíbe a busca e apreensão sem razão alguma, o castigo cruel e a autoinculpação forçada. Proíbe ainda o governo de privar qualquer pessoa da vida, da liberdade ou da propriedade sem os devidos processos legais, garantindo um julgamento público com um júri imparcial.
Assim, ficam garantidos o Estado laico e as liberdades democráticas (Aditamento I); a autodefesa (Aditamento II); a segurança pessoal e a da propriedade (Aditamento IV); a privacidade (Aditamento IV) e a justiça (Aditamento V).


terça-feira, 13 de outubro de 2020

DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS EUA

A 4 de julho de 1776, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Declaração de Independência. O seu principal autor, Thomas Jefferson, escreveu a Declaração como uma explicação formal do porquê o Congresso ter votado no dia 2 de julho para declarar a independência da Inglaterra, mais de um ano depois de irromper a Guerra Revolucionária Americana, e como uma declaração que anunciava que as treze Colónias Americanas já não faziam parte do Império Britânico. O Congresso publicou a Declaração de Independência de várias formas. No começo foi publicada como uma folha de papel impressa de grande formato que foi largamente distribuída e lida pelo público.
Filosoficamente, a Declaração acentuou dois temas: os direitos individuais e o direito de revolução (relembrar as teorias de John Locke). Estas ideias tornaram–se largamente apoiadas pelos americanos e também se difundiram internacionalmente, influenciando em particular a Revolução Francesa.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

BILL OF RIGHTS (1689)


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Feita em 1688 pelo Parlamento Inglês, no contexto da Gloriosa Revolução, e enviada a Carlos I como uma declaração de liberdades civis, a Bill of Rights ou Declaração de Direitos é um documento base para se compreender o constitucionalismo liberal.
A rejeição pelo Parlamento de financiar a política externa do rei fez com que este exigisse empréstimos forçados e aquartelasse tropas nas casas dos súbditos como uma medida económica. A prisão arbitrária por oposição a estas políticas produziu no Parlamento uma hostilidade violenta, levando à afirmação de quatro princípios:

·         Nenhum tributo pode ser imposto sem o consentimento do Parlamento;

·         Nenhum súbdito pode ser encarcerado sem motivo demonstrado;

·         Nenhum soldado pode ser aquartelado nas casas dos cidadãos;

·         A Lei Marcial não pode ser usada em tempo de paz.